Senhores, peço licença para entrar em seu mundo. Hoje, serei uma dama. Uma dama de espadas, sedenta, tão moralista e imoral como nunca fui antes. Serei a contradição falando da contradição. Serei como sempre fui. Flexível e inflexível, a flor e a espada.
Existem momentos na vida que nos motivam a fazer coisas. Existem vida nos momentos que me faz escrever. Não há explicação. Há uma explicação. Imagine alguém privado de comida por 3 dias. Imagine, então, uma mesa com todos os quitutes imagináveis. Planeje um encontro do faminto com a mesa. Sou eu e a escrita, quando há vida no momento.
Hoje houve vida e morte. Hoje foi deflagrada a GREVE.
Começo pela vida. Protesto. Brasileiros enfim cravaram sua voz na terra brasileira. Exigiram mudanças, notaram o quanto o silêncio é a morte. O silêncio é a morte da palavra, da vontade. O silêncio é uma arma perigosa. Ganha e perde uma guerra. Enfim, resolvemos gritar mais alto para coisas importantes, mesmo com a garganta ainda ferida pelos gritos “carnavalescos e futebolísticos”.
Morte. Sabemos que quando há vida, há morte. Ao mesmo tempo que a voz nasceu, a voz morreu. Não houve protesto por melhoria das escolas em si, não vi caras pintadas pedindo melhorias no ENEM. Não vi ninguém rasgar o bolsa família/gás/roupa/cerveja/preguiça e pedir oportunidade em troca. Eu vi uma pequena parcela da população pedindo melhorias, enquanto a outra grande parcela se mantem indiferente. A greve nos setores federais tem um lado negativo relevante: nos causa a falsa impressão de que o Brasil protesta por seus direitos, nos deixa acomodados. Serve-nos de antolhos. É preciso cuidado, cuidado.
Ainda é cedo. Já é muito tarde. O nosso destino será traçado de acordo com os nossos passos. É preciso caminhar para a frente, frente. É preciso pensar a frente. Ser a frente. Convido você a fazê-lo durante a greve. Você terá tempo para refletir.

“A igreja exorta os fiéis a que neste dia observem alguns sinais de penitência, em respeito e veneração pela morte de Cristo. Assim convidam-os a prática do jejum e da abstinência da carne e de qualquer ato que se refira a prazer.” ( Wikipédia)
Um dos dias mais críticos do ano, a meu ver: sexta-feira santa.
Proponho uma mudança! Chamaremos de Sexta-feira da Hipocrisia, com letra maiúscula.
Meu caro filho do pecado, convido-lhe a interpretar a citação acima. Como somos íntegra da oposição, começaremos pelo incomum: pelo final.
“Abstinência de qualquer ato que se refira a prazer”. Ei, cidadão. Pare. Não coma. Não beba. Não durma. Não sorria. Não veja seus queridos pimpolhos. Não vá ao banheiro. Apenas vegete.
Sim. Todos os atos acima, rotineiros, imprescindíveis a vida, dão-lhe prazer. Logo, se praticá-los, o inferno será seu lar pela eternidade. (Não quero nem imaginar o que te acontecerá caso pratique sexo, fume um baseado, xingue o vizinho.) Caso não os faça, poderá morrer (fome, entupimento, depressão), mas Deus esperará por você no paraíso.
Agora partiremos para :”Assim convidam-os a prática do jejum e da abstinência da carne”. Para esta análise, usarei de conhecimentos adquiridos na faculdade: Definição de carne:” Carne:todos os tecidos comestíveis dos animais(…) (EMBRAPA). Lanço a questão: Por que diabos pode-se comer bacalhau????? (rico bacalhau, pobre sardinha ou ovo) Cidadão, é demais para mim! O pobre peixão não é carne? Não consigo nem pensar em uma comparação irônica para fazer meus ancestrais moverem-se nos seus túmulos de ódio ou graça. Não consigo. Bacalhau… a nova leguminosa.
A propósito, acabei de descobrir o uso desse peixinho. Já ouviu a expressão ” cabeça de bacalhau”? Algo que ninguém nunca vê, que é oculta. Sim. O bacalhau representa a igreja, no qual o corpo são os fiéis, a parte que é comida, que vira merda. A cabeça é a alta hierarquia, a ideologia, a verdade da igreja. Nunca é revelada a ninguém. Um ótimo símbolo para a sexta-feira santa. Logo, quando você come este peixe, você come sua inteligência, você come e se delicia com seus antolhos.
Por fim ( post breve, pois não quero fazer-te perder o feriadão de merda), vomito em ti: “A igreja exorta os fiéis a que neste dia observem alguns sinais de penitência, em respeito e veneração pela morte de Cristo”. Na prática, mudaria tal frase para “A igreja persuade os fiéis a praticarem alguns sinais de penitência, em respeito e veneração pela morte de Cristo” (AMIN, Isadora).
Minha doce criança, a fim de mostrar-lhe a verdade, usei citações. Eu poderia ter, como sempre, usado apenas meus argumentos, porém, usei registros oficiais para dizer o quanto você é capaz de interpretar a vida sem ajuda direta de alguém. Você tem voz, cérebro e google. Não se deixe enganar. Não se deixe enganar. Não se deixe enganar. Repetição ajuda no aprendizado.

Eu devo ter uma queda por domingos. (Atente-se ao fato de que queda, no sentido literal, significa algo ruim, porém, em outros sentidos, chega a se comparar a “afinidade”.) Não sei definir qual das duas quedas tenho por domingos.
O fato é que nos domingos Live and Let Die grita por socorro. E eu atendo.
Já que toquei no assunto, vou dizer-lhe o motivo do blog de textos no TUMBLR.
Se você tem olhos como os meus, provavelmente já reparou que nessa porcaria só se encontra plágio, frases românticas e muito sentimentalismo fajuto. Então, minha crítica começou assim. Tornar o tumblr. um veículo. Algo que tivesse utilidade. Chamar a atenção dos “tumblreiros” para algo além de seus narizes sujos. E assim abriu-se o mar.
Como já disse milhares de vezes, a escrita é minha religião, e hoje estava precisando rezar/escrever.
Sinto em decepcioná-lo, meu caro. Mas hoje não tenho uma história sarcástica para vomitar. Não tenho um senhor com nome de Jesus, não tenho um bêbado ativo, não tenho porcos, nem crianças nascendo. O que eu tenho para hoje é um monte de merda tentando pegar no sono.
Há dias tocam-me lembranças da infância e adolescência que tive. Com certeza resultado da leitura de Herman Hesse, para ser específica, Demian.
Esse livro me fez lembrar de quando era embrião no mundo. Quando eu ainda não sentia a faca da verdade cortar-me em pedaços.
Um dia eu acreditei em Deus, no amor, na sinceridade de gente que não consegue nem dizer o nome sem mentir. Eu acreditei que as pessoas não tivessem instintos.
Naquela época de escola, ser bolsista custou-me muito. Isto deve-se a teima de minha mãe em dar-me educação de qualidade. Ela conseguiu. Foi vendo o preconceito nos olhos de meus companheiros de sala que eu aprendi o que sei hoje sobre comportamento. Eu aprendi muitas coisas na escola. Dentre elas, a ironia, o sarcasmo. Foi assim que eu me tornei essa peneira fina, que seleciona minunciosamente quem entra no meu mundo. Por isso me identifiquei com Demian, o menino que vivia em outra dimensão das dos colegas de classe.
Não ter uma história, custa-me um final comovente, daqueles que você lê e pensa: nossa, que texto. Não terei como terminar esse monte de frases vagas. Porém, vou contar-lhe o que passou em minha cabeça enquanto pensava em um belo final.
Olhei para meu pobre cacto no quadro, torto, beirando a morte por chuva excessiva, amarelado, esperando a hora em que me cansarei dele e o descartarei. Eu me vi naquele troço. Eu percebi que por tempos em minha vida eu fui esse pobre vegetal, esperando a mão de Deus levar-me. Foi então que percebi que não havia Deus. Foi então que percebi que eu era o poder, eu era o princípio ativo para a vida. Foi nesse dia que criei o blog. A cada dia que escrevo, recupero, por vez, a cor, outrora a postura, e, dessa forma, vou tornando-me um cacto vivo. Sei que para morrer em vida, a gente precisa consentir. Eu não vou. Não vou. Não. Eu viverei para sempre.
Senhores, vou contar-lhes uma merda de história/estória. Nela vocês presenciarão terror, suspense e, caso eu consiga alcançar meu objetivo, verão também contradições.
Antes porém, necessito de uma introdução para não deixar sua leitura vaga, leitor. Não tenho religião. Não tenho Deus imaterial. Eu acredito em espíritos.
Digo: “Eu sou uma farsa. Eu sou a verdade.” Começo assim meu caso.
Quando embrião no mundo ateísta, ouvi minha mãe dizer várias vezes: Minha filha, você não acredita em Deus, mas acredita em espíritos!
Diante de tal desafio, uma resposta caía como uma faca no peito de minha pobre mãe católica: “Eu nunca vi Deus. Eu vejo espíritos.”
Sim, muito bobagem para simples 45 kg de merda. Provavelmente, quando menor a massa de uma pessoa, maior a alma e a capacidade de falar asneira.
Se existem espíritos ou não, se existe Deus ou não, isso não me importa muito. Acredito que a origem de minhas ilusões foi na minha velha infância.
Cresci rodeada de estórias hilárias. Velas que guiavam o caminho de meu bisavô. Chuveiro que ligava de noite. Carroça invisível na madrugada. Sim, muita ladainha. Porém, quando se tem 7 anos de idade, a ideia de uma vela acessa em uma estrada no meio da chuva que guiava um homem, parece fazer sentido.
Minha idade era inversamente proporcional ao meu medo. Aos 11 anos de idade dormia no quarto de meus pais, pois meus demônios não me davam paz na madrugada. Acredito que seja este o motivo de eu ser a filha caçula, 11 anos atrapalhando um casamento, entende?
Enfim, minha pobre mãe, a fim de se livrar da cruz que eu era, arriscava de tudo: oferecia-me celular, televisão, o mundo. Tudo isso em troca de poder dormir espaçosamente em sua cama. Mas meus demônios não deixavam.
Certa vez fui na umbanda com minha progenitora para que o Preto Velho tirasse meu medo. Saí de lá com o medo multiplicado. Fui então na benzedeira, na Igreja, quase fui onde judas perdeu as botas. Não adiantou. Claro. Claro.
No entanto, não sei por que diabos, perdi meu medo. Tornei-me livre. Havia deixado a infância e seus medos para trás.
Durante todos esses anos, tirando algumas imaginações, ilusões de ótica, vontade de aparecer, eu tornei-me livre ( livre do dogma religioso, livre da imaginação que me consumia).
O fato é leitor, que decidi que escreveria este texto hoje para expor uma contradição. Vou contar-lhe o motivo.
Enquanto lavava 1 copo, nesta noite, fui surpreendida com um giro de 360º na torneira. Meus olhos fitaram aquela merda. A torneira ligou sozinha. Não foi uma ilusão. Paralisei, tremi, corri. Pedi socorro para as companheiras de repúblicas. Reunimos-nos na cozinha e perdemos tempo falando sobre as assombrações da república. Sobre as assombrações da vida.
Agora, aos 20 anos, algo de concreto enfim me aconteceu. Porém, leitor, caso minha infância não houvesse sido tão traumática em relação a essa ladainha, certamente eu teria visto o óbvio, a realidade: falha mecânica da torneira.
Porém, repito: “Eu sou uma farsa. Eu sou a verdade”. O texto de hoje tem por objetivo mostrar-lhe que, mesmo eu, lixo, que critico até a respiração alheia, sou mais digna de crítica do que qualquer cidadão. Eu não tenho um Deus, porém, embora semelhante subjetividade seja, eu digo que acredito em espíritos. Não faz sentido. Não faz. Não faz.
Porém, leitor, peço que me entenda. Eu sou humana, eu sou a contradição. E essa contradição é fruto de anos inteiros sombrios na minha infância. É fruto de questionamentos. É fruto da negação do dogma. Por mais que minha razão negue, por mais que os fatos neguem, serei para sempre contaminada com isso. Visto que, sendo a infância a base, colhemos sempre os frutos plantados nessa fase da vida. Por mais que minha razão saiba que estou errada, sempre que uma torneira girar em minha frente “sozinha”, irei, a priori, acreditar que uma alma penada me persegue.
Para terminar, repito-lhes: Eu sou uma farsa. Eu sou a contradição. Eu sou a verdade. E você leitor, você também é esse misto de ideias. Somos humanos.

Filhos de lúcifer, contarei a vocês um fato. Como sempre, o fato origina-se da loucura. Da minha loucura de achar que as pessoas são normais. Não, não somos.
A história começa, como outras vezes, em um ônibus. O destino: Viçosa. A hora: 17:50h. Sei que informações supérfluas, como destino e hora, cansam o leitor. Eis que imponho uma prova de resistência. Se aguentares minha ladainha, significa que és um leitor assíduo. Mentira. Não foi esse o motivo de minhas informações extras, tanto porque não sou Clarice Lispector para ter leitores fiéis. A verdade é que cuspi-lhes estas informações pois a loucura de alguns se intensificam a noite(como a minha), logo, destino e hora são informações importantes.
O metal partiu então de VRB, mas foi só em São Geraldo que minha história ganhou corpo. Foi lá que o protagonista entrou. Cambaleando, mirando o assento com os olhos e errado com o resto do corpo.
Não sei seu nome, mas sei que a priori senti medo. Levava apenas uma mini bolsa de mão e um gingado de causar inveja nos mano.
Após muito custo, nosso homem conseguiu pegar um assento e sua primeira frase foi: “Este ônibus vai por essas estradas pegando todo tipo de lixo.” (tenho certeza que ele se incluiu nessa, pois parecia sincero).
Sua próxima ação foi exigir que o trocador ficasse com o troco da passagem para poder beber uma pinga na rodoviária de viçosa.
Durante o trajeto, nosso senhor continuou: “Se o mundo tivesse cu, ele seria em Viçosa. Viçosa não tem prefeito, nem vereador, nem lei. Única coisa que tem em viçosa é a UFV, e mesmo assim só entra branco.” Enquanto ele falava, pessoas ao seu lado prendiam a respiração para evitar um coma alcoólico e torciam para que a chegada ou a morte fosse breve.
Não contente, o bêbado aumentou o tom e mostrou seu talento: ” Hey, Scooby, estamos indo para viçosa!”; “Eu sei Salsicha”. E assim criou um episódio de Scooby Doo. O motorista, afim de distração, participou da cena!
Eu, lixo, que a princípio senti medo, soltava altas gargalhadas, pois o nosso homem precisava de público para continuar.
Foi assim, refletindo sobre tal caso, que percebi que o bêbado era o único normal do ônibus. O único que não mentia ou fingia. Ele acreditava em algo e se agarrava a aquilo. Ele tinha ideologias, ao contrário do resto, e isso incomodava. Geralmente as pessoas não gostam daquilo que deveriam ter e falta-lhes.
Nosso homem era mais homem que muitos doutores, pois ele tinha no peito a vontade de denúncia. Ele me fez engolir o preconceito e me mostrou que, mesmo bêbado, ele tinha mais essência que eu, pois ele denunciava a mais de 40 pessoas em voz alta, enquanto eu me escondo atrás de uma merda de blog, quase sem identidade.
Foi nesse trajeto VRB-Viçosa que descobri que por mais que eu tente, sempre me faltará coragem. Continuarei camuflada pelo nome “Live and Let Die”. Logo, viverei eternamente no anonimato. Então, meu caro, pensando adiante, desejo a você o oposto, leitor. Desejo sede de denúncia e muita coragem, só assim se tornará um homem livre.

Fevereiro. Primeiro post do mês. Contarei uma história sombria, assustadora, hilária, comovente. Caso fosse um filme, não saberia classificá-lo. O que contarei hoje tem um pouco de ação, drama, comédia e, como tempero, adicionarei a ficção.
Senhores, tudo começou seguindo a trilha da rotina (como toda boa história). Xandinho e eu íamos atacar a cozinha da casa dele às 22:00h, como sempre fazemos. Porém, algo incomum aconteceu. Eu já estava terminando a frase “O baleião vai devorar”, direcionada ao meu companheiro, quando, em pânico, ele gritou ” Um rato!” Não acreditei. Olhei para a cozinha e não vi nada. Ele continuou “No fogão, dentro da panela”. E assim, com essas 3 falas, minha estória começa.
Eu estava sem ação, ainda duvidando, pois, para os que não sabem, meu namorado é conhecido por Forest Gump: o contador de histórias. Porém, a possibilidade de haver um rato no mesmo ambiente que eu me tornou crente. Aconselhei o jovem caçador a retirar as panelas do fogão antes de abaixar a tampa. Ele não me ouviu. A tampa caiu e jogou a panela longe. Um barulhão às 22:00h.
Continuamos com a caça. O caçador queria ligar o forno com todos os tabuleiros lá dentro e assar o camundongo. Quis morrer imaginando o churrasquinho de rato. Ele mudou de ideia, resolveu tirar tudo antes. Outro barulho, agora feito pela corrida do rato dentro do fogão. Acho que nessa hora eu morri, vi lúcifer e voltei para a face da Terra. Era verdade, havia um roedor alí. O caçador, usando uma lanterna, iluminava a caverna do temido rato. Tentou ligar o forno. O rato correu. Tão veloz e hábil que resolvi chamá-lo de Chuck Norris.
Agora o bichinho estava em vantagem, correu e se escondeu. E tudo que tínhamos era a lembrança de um flash cinza virando para a copa. Imaginamos que o citado animal estivesse debaixo do móvel. Hipótese aceita. Lá estava ele, feroz, ágil, faminto. Essa foi a minha sensação. Na verdade, o ratinho estava com medo, tremendo e implorando piedade. Nesse momento, Nazaré acordou e perguntou o que estava acontecendo. O caçador contou-lhe a verdade. Pânico.
Usando a maior potência de suas mitocôndrias, Xandinho arredou o móvel. O rato passou do meu lado. Porém, mais uma vez, só vi outro flash. O máximo que meus neurônios permitiram foi um simples tapinha na bundinha magra do ratinho com a vassoura.
Agora tínhamos um problema maior. O rato havia corrido para a sala. Um local sinistro, cheio de esconderijos. Ele podia estar em qualquer lugar. Nesse momento, quase mudei o nome do rato para Osama Bin Laden, porém, até o citado foi encontrado, e o rato não dava as caras.
Depois de longo tempo atrás do camundongo, o caçador decretou:_Darei as buscas como finalizadas. Porém, como eu iria dormir naquela casa, insisti:_”Continue”. Pedi que olhasse na parte de baixo do armário. Hunter seguiu meu conselho. Lá estava ele. Nunca esquecerei da descrição que Xandinho fez:_Ele está olhando nos meus olhos. Seus olhos são de piedade. Não vou conseguir matá-lo.
Foi então que percebi que o mensageiro das trevas do meu namorado estava se decompondo. E isso eu não podia deixar, pois, caso contrário, eu teria que dormir com um rato andando pela casa. Botei fogo, aticei e disse com a voz forte:”Ele come a sua comida, anda nas suas panelas e está te fazendo perder todo esse tempo.” Deu certo. O caçador voltou:” Vou pegar a faca”
Assim, com uma faca de pão, cuja ponta era mais arredondada que uma tesoura para crianças, o temido homem focou no ratinho. Porém, o rato, que tinha um QI de dar inveja em Einstein, subiu o mais alto que pode dentro da armação do armário, deixando apenas como alternativa a remoção da peça.
O engenheiro passou uns bons 20 minutos tentando desparafusar o esconderijo. Quando conseguiu, eu vi o bichinho. Minúsculo, cinza, desprotegido, com medo e agarrado na parede. Tive dó. O caçador também. Temi e mais uma vez coloquei fogo: ” Mate ele enquanto pode, senão ele correrá e se esconderá em outro lugar”. Foi assim que o caçador agiu. Pegou a faca de pão. Quando percebi o que ele faria, corri e tampei ou ouvidos.
Ele enfiou a faca no camundongo. Ele gritava tanto e tanto que me senti cúmplice de um serial killer. Xandinho fraquejou, tirou a faca (a faca não perfurou, não tinha ponta, mas o caçador garantiu que apertou tanto o ratinho que agora ele seria vítima de hemorragia interna). Mesmo assim o rato subiu um pouco mais. Xandinho deu outro golpe e o ratinho gemeu de novo.
Como eu não estava perto nesta hora, pois estava com muita dó do bichinho, usarei as palavras do Hunter para descrever esta parte da história: “O rato tirou forças do além, conseguiu escapar da faca, pulou na minha mão e correu”. Sim meus caros, pulou na mão do Xandinho, que reagiu com um grito de pânico. Foi aí que descobri que o meu protetor tinha mais medo do que eu. Quis morrer.
O rato correu para a selva de sofás. O Huck, digo, o Forest levantou tudo enquanto eu verificava se havia vestígios da presa embaixo da mobília. Nada. Mais uma vez opinei. Mais uma vez acertei. O rato estava nas almofadas do sofá! Foi uma guerra, o bicho pulava da parede para o sofá, de um sofá para outro e o caçador com um vassoura atrás.
Fiz uma muralha para o rato não voltar para a copa. Pensei estar deixando como única alternativa de fuga a porta da sala. Porém, como o QI do rato era maior que o meu, ele conseguiu transpor todas as minhas barreiras. Voltou para a copa, para o mesmo móvel que já havia sido seu esconderijo.
Hunter quis chorar. Nossas cabeças doíam, nossas pernas latejavam e o rato, apesar das facadas, estava inteiro e hábil.
Embora na vantagem, o rato resolveu acabar com a brincadeira. Resolveu que era hora de partir. Assim, usando seu jeito Chuck Norris de ser, o rato passou pelo pé do caçador e saiu pela porta da copa para o terreiro.
Uma respiração de alívio. O monstro se foi. Agora o Serial Killer precisava se livrar da arma do crime. Abriu a porta da sala e olhando para um lado e outro, arremeçou a faca o mais longe que pode pela rua. Claro que antes limpou as digitais. Já passavam de 23:50h. O caçador escreveu um bilhete para sua mãe: “O rato está foragido. Foi visto pela última vez indo para o Rocky (cachorro que fica no terreiro).” Tomamos banho e fomos dormir.
E assim terminou a noite. Sonhei a noite inteira com ratos. Agora pensando no assunto, só tenho um conselho a lhe dar. Caso alguém pergunte a você “Você é um homem ou um rato?” Responda com muito orgulho: Um rato.

A madrugada é um bom horário para a reflexão. Seja meditando na cama ou jogando uma partida de buraco. Hoje eu fiz os dois. Além disso, também disseminei o ódio nos corações de cristãos.
Tudo começou com uma simples pergunta do adversário do carteado do orkut: ” Vcs sao de od?” (Juro que não fui eu quem esqueceu de colocar o “n”) Assim, com essa pergunta, o cidadão, não sei por qual motivo, despertou-me o sarcasmo, a vontade de irritar alguém. Respondi: “I’m from Hell”. Foi o suficiente. Cristão que se preza teme o diabo em plena madrugada. A outra adversária limitou-se: ” Aff “. Dessa forma, percebi que eu estava no caminho certo. Cuspi mais palavras: ” My name is Lúficer. UHAHAHAHAHA” O rapaz se borrou e jogando água benta e lição de moral gritou: “Vc é uma menina bonita, não devia falar essas coisas, concorda parceira?” A parceira dele, a dona do “Aff”, tremeu, viu os cavalheiros morte, fome, peste e guerra. Sua única alternativa era fugir. Abandonou o jogo. Preparei para o meu adversário: ” Now, you are alone with me”. Porém, antes de terminar o “me”, o cidadão também fugiu dos meus poderes malígnos. Sobraram eu e mais 3 robôs na mesa. Tentei irritá-los. Enviei a mensagem acima para eles. Nenhuma reação. Perdi a graça. Macaco sem público não é macaco.
Foi logo aí que comecei a meditação. A porcaria do notebook desligou por falta de bateria, ou por punição divina. Corri para recomeçar minha noite. Decidi que o tumblr. seria minha vítima. Afinal, é o único que aceita minhas provocações.
Achei no mínimo curioso a fuga. Não sei se fugiram de mim por medo do “7 pele” ou por eu ser irritante. Acredito que pelos dois motivos. Afinal, estamos em 2012, o ano em que o mundo acaba. Ninguém quer perder seus últimos minutos com uma merda de pessoa.
Veja você, no mundo de hoje toleram de quase tudo, aliás, fingem que toleram. Homossexualidade, maconha, corrupção, sexo em praça pública e toda essa ladainha. Mas digo-lhes: ninguém tolera o diabo. Ninguém tolera o diabo que cada um de nós abriga. Não meu caro, não estou dizendo que você está possuído. Pode dispensar o exorcista. O que eu digo é que ninguém tolera a parte podre que é. É difícil aceitar os erros, afinal, para nós sempre há um motivo justo para cometê-los. É difícil entender a palavra Diabo. Diabo não é um ser. Diabo é a união do mal de cada um de nós. Juntos, formamos o mal. Juntos também formamos o bem, somos Deus. O que nos resta é entender e aceitar. Erramos e acertamos. Deus ou Diabo, o que nos convém.
Enfim, até do Tumblr. eu já me cansei. Coisa que não discute, que não reage não me interessa muito. O ser passivo é entediante, é nojento. Porém, a gente aprende a conviver com ele todo dia. Ele existe na política, nos relacionamentos, em todo tipo de pirâmide é o passivo o cimento. Assim, mesmo cansada dessa merda de blog, vou continuar escrevendo. Pois assim não perco a voz. É essa merda de blog que me mantem ativa, que não me deixa chafurdar nessa lama de silêncio. Assim, me torno humana e também te torno humano, pois te dou a oportunidade de odiar, de refletir e de ter poder crítico. Mesmo sendo alvo do seu ódio, sinto-me realizada. Fiz a você o bem.

Hoje vim com uma missão: ser escrava do meu mensageiro. Esta energia que amanheceu mais escura do que nunca, que não está me dando paz. Minha condição de liberdade é escrever e escrever. Não, Cristão. Não é a Lúcifer ou a seus discípulos que me refiro. Minha escuridão são meus próprios demônios e minha igreja é minha escrita. Você se apega a Deus, Buda, Exu Caveirinha dentre outros personagens. E eu respeito. O que eu não respeito é a hipocrisia em volta disso. Já eu, pobre pecadora, só tenho as palavras.
Quando falo sobre tal assunto, sei que faço o ódio renascer nos corações imaculados do crentes. Eis meu objetivo: cuspir-lhes a verdade. Você não é melhor por ter um Deus. Você também sente ódio.
Certa vez vi em Dexter uma citação que se tornou meu mantra. Era algo do tipo: “Eu acredito em regras que me permitem conviver com as pessoas”. Mantra a parte, eu também acredito em ganância, poder, egoísmo, sexo, capitalismo… Acredito que somos escravos dos nossos sentimentos e dos nossos demônios.
Tenho pouco a falar, aliás, na verdade tenho muito. No entanto, com este curto trecho já fui capaz de reviver.Dessa forma, fiz minha oração diária e já devo ter sido coroada como “O quinto cavalheiro”. Sendo assim, deixo meu ponto final com uma frase geralmente dita quando morre um ser: “Descanse em paz!” ou seja, “Descanse das suas trevas”! Orando a um Deus ou escrevendo, assim como eu. Pouco me importa…

Sim, cidadão, sei que ainda não é Natal. No entanto, como não estarei conectada nesta data tão especial, decidi que deveria presenteá-los com meu sarcasmo antecipadamente. Sei também que a sociedade capitalista e consumista chorará pois meu presente será imaterial. Não gastarei em espécie para fortalecer o sistema, pelo contrário, eu o alfinetarei (capitalista assumida, direciono a crítica a mim também).
Desde criancinha aprendemos que o Natal é uma data sagrada: ” O nascimento de Jesus”. Porém, mesmo sendo puras crianças, já notamos a verdade nua e crua: ” O dia de ganhar presente”. Adultos de todo o mundo vestem um sorriso amarelo e cospem mentiras para seus diabinhos: “Se você se comportar bem durante o ano, o Papai Noel lhe trará presentes”. Já os diabinhos, por suas vezes, vestem suas caras de anjos e fingem acreditar piamente no Bom Velhinho. Simulam inocência quando escrevem as tais cartinhas ao bondoso homem. Assim, diante de tamanha emoção, os pais com os olhos imersos em lágrimas fazem as vontades dos projetos de lúcifer: gastam o 13º, endividam-se, economizam no lanchinho só para ver o instantâneo sorriso de suas crias.
Sinceramente, não consigo encontrar a conexão entre Papai Noel, Jesus e dia 25 de dezembro. A pessoa que inventou essa merda foi tão alienada que nem conseguiu escrever um romance coeso e coerente. Disseminou pedaços de histórias diferentes e nós, pobres criaturas, engolimos e regurgitamos todo ano. Porém, tenho que admitir que o criador disso tudo tem um grande poder de persuasão. Tamanho foi o estrago que nem milhares de pecadores como eu conseguiria limpar o cérebro de nem 1% de seres terrestres crentes no Natal (o que é de se esperar, pois nem o nosso somos capazes de limpar).
Agora citando o brasileiro digo-lhes: A cópia é tão evidente que nem o calor infernal de dezembro em país tropical foi capaz de consumir de uma vez só com a roupa vermelha de frio e o gorro do hemisfério Norte. Desempregados de toda parte do país do carnaval sujeitam-se a barba branca e longa e a desitração só para ter o dinheirinho reservado para o almoço do outro dia. No entanto, como toda falsificação tem seus defeitos, notamos aqui no nosso país um tipo gozado de Papai Noel: Magro, desnutrido e com barba sintética.
Notamos também que quando se aproxima dezembro, a mídia, como boa oportunista que é, nos impõe toda aquela música, letreiros vermelhos e a TV PLIM PLIM começa sua campanha de Natal e fim de ano: “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou…” E nós, pobres mortais, até chegamos a acreditar num futuro melhor. Como se no dia 01/01/xxxx nossa vida fosse se transformar no mais belo conto de fadas. Porém, eis que chega o tão esperado novo ano e a gente percebe que está na mesma merda. Aliás, não na mesma, a gente percebe que está em uma merda pior, pois agora temos as dívidas adquiridas com as festas de fim de ano e que não temos de onde tirar o dinheiro do carnaval. E como se não bastasse, temos ainda que nos virar para pagar os impostos que o vermelho partido nos impõe. Notamos então que estamos, na verdade, chafurdados na merda.
Alguns dizem que no Natal somos capazes de perdoar, de apertar a mão do inimigo, de festejar e ser feliz. Curioso é que no outro dia tudo volta ao normal. Seu inimigo continua no seu posto de filho do diabo, suas dívidas continuam sem pagar e você continua aos mesmos passos do inferno.
Enfim, como sempre, cutuquei sua ferida. Mas saiba cidadão, que sou como você: influenciada, sentimental, manipulada pela “magia do Natal”. Veja tamanha minha consideração que até escrevo Natal com letra maiúscula. Sim, criatura, não é fácil vencer 19 anos de TV PLIM PLIM. A nossa diferença é que eu pelo menos faço isso com consciência. GRANDE MERDA!

Hoje falarei sobre meu País tropical, abençoado por Deus e bonito por Natureza.
Começarei por uma suposição 99,99% verdadeira: Se você, cidadão, interromper o caminho de algum brasileiro e perguntar o que este mudaria no Brasil, tenho certeza que dentre todas as reformas, estariam as citadas a seguir: Melhorar a seleção, aumentar os feriados, melhorar os shows do carnaval e aumentar a bolsa família. Sim, sei que há exceções. Sempre haverá um esporo na terra seca.
Ladainha a parte, quero chegar ao fato que marcou os últimos anos: A Copa sediada no nosso Brasil. Cuspo-lhes clichês: “Ora, se o Brasil não organiza o ENEM vai organizar a Copa?”. ” As obras da Copa não serão concluídas a tempo”. ” Esta será a última copa no Brasil, pois será um fracasso e não mais confiarão em nós”(…) Poderia repetir esses discursos alheios pela eternidade, pois não me faltariam palavras. Sinto dizer que já concordei/concordo com parte deles, provavelmente já os repeti inúmeras vezes (como boa brasileira que sou, adoro sentenças). No entanto, devo-lhes informar que os papagaios verdinhos faladores não estão certos: A copa não será um fracasso, pois a ferro e fogo, nós brasileiros, daremos um jeitinho. Dizimaremos favelas e vidas, quebraremos barracos, abriremos milhares de vagas na universidades federais (sem nos preocuparmos com a infraestrutura, pois isto desviaria dinheiro das obras) a fim de formar engenheiros, daremos sinal verde a qualquer particular de merda que se comprometer em desovar profissionais (des)qualificados no mercado, plantaremos árvores, reformaremos estádios, cortaremos verba da educação (gerando greves), publicaremos um suposto crescimento do País na mídia e manipularemos os cérebros um dos outros para que exista uma só verdade: Somos brasileiros, não desistimos nunca! Temos as mais belas florestas, o mais receptivo povo e somos todos borrifadores de alegria.
Na certa, muitos dos leitores estarão me desejando o mármore do inferno, ainda mais os que se dizem amantes da pátria. Digo então: se você o faz, a última coisa que tu és é patriota. Provavelmente, você faz parte do grupo que acha que amor a pátria é aceitar a merda que nos impõem. Ei cidadão, patriota sou eu, que quero o bem ao meu país. E querer bem é denunciar.
Enfim, voltando à polêmica, grito em alto e bom som: FAXINA PÚBLICA. Sim, se algum dia você abriu um livro de história do Brasil, perceberá a semelhança. Podemos comparar a Copa14 com a vinda da Corte malandra e medrosa ao Brasil1808. Sinto-me como se tivesse sido um grão de areia, um folha de árvore daquela época, pois a situação me soa muito familiar. Para receber nosso rei, eliminamos a classe baixa e suja do centro das cidades, derrubamos casebres, construímos palácios, casas culturais, transformamos parte do país em uma cópia malfeita da Europa. Porém, como “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, os pobres não se desmancharam, pelo contrário, subiram os morros e fundaram as favelas. O lixo do centro se transformou no lixo do morro e o Brasil reluziu para Dom João e sua corja! Sentes agora, homem? Como diria Cazuza: ” Eu vejo um futuro repetir o passado, Eu vejo um museu de grandes novidades”. Semelhanças a parte, exponho as diferenças: agora os alvos são as favelas. Será que mais um ciclo se fechará? Será que por motivos semelhantes terão surgido e desaparecido as favelas?
O fato é que a polícia se organiza, a Dentucinha veste o vermelho nazista e o povo grita “Heil Hitler”, ops,Dilma. Rezamos todas as noites para engordar a poupança destinada aos ingressos dos jogos de 2014. Soltamos foguetes a cada invasão de favela: “Yes, man! We can”. Enquanto isso, do inferno/céu Dom João sorri: “Sinto-me mais vivo do que nunca”.

Hoje dedico o post ao famoso Ursulão, aquele que é dono de aproximadamente 50% dos meus genes.
Para cumprir formalidades, direi apenas uma vez seu verdadeiro nome: Luiz Eduardo de Paula Amin, vulgo Goiabinha.
Formalidades a parte, inicio com a origem do apelido: Quem teve infância sabe que Ursulão era um urso atrapalhado que insistia em consertar as coisas de casa sozinho para não ter que contratar um técnico. Seu triste fim era piorar as coisas em, pelo menos, 200%. Assim, graças a algumas/todas semelhanças, senti-me no direito de rotular meu querido pai de Ursulão. ( Confesso que minhas semelhanças com o Ursulino, o filho atrapalhado, também influenciaram).
Certa vez, na tentativa de desentupir a calha do telhado da minha vó, cuja casa é ao lado da minha e cujo telhado é próximo ao meu terraço, Ursulão, alto como só ele, apoiou-se sobre as fartas costelinhas no murinho objetivando alcançar a tal calha com um bambu de 30 cm. O resultado foi uma costela quebrada, 15 dias de atestado e calha entupida.
Ouvi boatos também de que, na pressa do dia a dia, Ursulão, temeroso de queimar seu angu no fogo, resolveu que deveria ir bem rápido, sem demora ao supermercado. Saiu a mil por hora de casa, subiu na motoca e acelerou. Típico de Ursulão, meu pobre pai esqueceu de destrancar o guidon e, com a moto em círculos, bateu no portão do vizinho. Dessa vez, o resultado foi um dedão sem cabeça, moto arranhada e angu queimado.
Lembro-me também de certa vez que tranquei o Ursulão fora de casa. Ursulão e seu prato de leitoa tentavam entrar para o Lar, doce lar. Porém, como apenas uma mão disponível não é suficiente para destrancar um portão, Ursulão deixou o pratinho de leitoa cair na varanda. Daí, originaram-se cacos de porcelana, leitoa contaminada, varanda engordurada e Ursulão nervoso. ( Fato típico de relacionamento entre Ursulão e Ursulino).
Além dessas, não posso me esquecer do dia em que o Ursulão e o Ursulino (eu) caçaram um rato no apagão de VRB com uma vela. A casa ficou pingada de vela, meu quarto com cheiro de isca (queijo parmesão) e o rato foragido.
Como não podia faltar, contarei também o acontecimento de hoje: Ursulão fazia o almoço: Frango assado com molho de leite de coco. Na hora de acrescentar o queijo ralado, para economizar tempo, o chefe de cozinha resolveu que deveria colocá-lo no frango ainda dentro do forno. Típico de Ursulão, o homem deixou o queijo cair no vidro do fogão. Típico de Ursulão, resolveu que deveria limpar antes de continuar a cozinhar. Típico de Ursulão, um pano molhado foi o veículo do tabuleiro até a mesa. Como todos imaginam, Ursulão queimou os dedos e jogou o tabuleiro na mesa. O saboroso molho de leite de coco e massa de tomate sentiu a liberdade e lançou-se pelo ar. Sentiu-se no direito de queimar a Dayenne, de sujar a banheira da Alice e de se espalhar pela mesa. Típico de Ursulão, xingamentos comuns foram poucos.
Poderia contar mais casos do Ursulão, mas o tumblr seria pequeno. Agora Ursulão anda por aí, na expectativa de consertar algo. E eu, como boa observadora, ando atrás do Ursulão, na expectativa de captar quando isto acontecer.

Certa vez, ao ver “Babe- o porquinho atrapalhado”, acreditei que porcos eram fofinhos, pequeninos e que cheiravam bem. Eis aí mais um subproduto da mídia. Talvez eu tenha até pensado em ter um porquinho, rosado e rechonchudo andando pelo meu quintal, dividindo minha comida comigo, fazendo charme para que eu lhe coçasse as costas… Tá, exagerei! Tanto porque não gosto de animais! Tenho aversão a coisas que andam em 4 patas ou tem penas. Porém, apesar dessa aversão, começou minha saga: visita à suinocultura! Acredito que para a maioria não tenha sido tão chocante como foi para mim. Descobri um novo mundo: porcos fedem, peidam, gritam e pesam em torno de 150kg.
Era uma vez uma terça-feira ensolarada ( acredito que o dia quente foi pensado para que pudéssemos cheirar como porcos e nos misturarmos a eles sem grande dificuldade)… estudantes de engenharia de alimentos e afins, punham-se a postos em frente ao prédio de laticínios ( mais uma tortura: o cheiro do doce de leite). Quase albinos, como eu, escondiam-se sob árvores a fim de minimizar o grande astro. A multidão dotada de certa melanina reunia-se na escada. “Por onde anda o ônibus moderno que nos levaria à suinocultura (eufemismo para chiqueiro)?” Todos se perguntavam. Repentinamente, a magnífica máquina apareceu. Não sei se era bege ou se era branco empoeirado, mas posso afirmar que era quente como o temido inferno.
Alocamo-nos nos assentos. Fresca como sou, mal podia me mexer: náuseas me atormentam em viagens. Digo viagem, pois até a suinocultura custou-me um bom tempo e estômago (a uns bons 600 m de distância do hell, já era capaz de sentir o cheiro).
Descemos e, prendendo a respiração, coloquei a bolsa em uma salinha, também fedida, e me reuni ao grupo. O cavalheiro explicava todo o processo enquanto eu era atacada por mísseis, insetos jamais vistos, de todo tamanho e cor. Piadas/picadas a parte, juro que o que ouvi foi interessante. Passei a olhar o pernil do RU com outros olhos. Se antes pensava: “Ai que nojo, que carne é essa que mais parece um tijolo!” agora penso: “Pernil, derivado de suínos. Ai que nojo, que carne é essa que mais parece um tijolo?” .
No meio da apresentação, somado aos insetos de Itu, apareceu uma cadela tetuda, carente e com um rebolado de botar a Gretchen no chinelo ( esta foi a visão de todos). Permita-me descrever a minha visão: um monstro carnívoro que usa o rebolado sensual como tática de aproximação. Tremi, quase gritei, escondi-me e ouvi em troca: ” Ai Isa, isso já é frescura!” Juro, o sangue quente, a tremedeira, o suor e os insetos, foram muito além de simples frescura.
Enfim, entramos para conhecer as porquinhas. As donzelas eram chamadas de marrãs, já as mamães de matrizes. Choquei-me ao descobrir que as garotonas de uns 120 kg eram inseminadas artificialmente pois não aguentavam o machão reprodutor. Pensei que conheceria o Alexandre Frota dos chiqueiros. Surpreendi-me: eram, talvez, mais dotados em proporção ( 40/50cm, disse o cavalheiro).
Confesso que minha parte feminina quis chorar ao descobrir o sofrimento dos leitões: corta-se o dente, a orelha e castram o pobre cidadão após o nascimento. Esperam uns dias, desmamam o animal e enfiam-lhe em um alojamento dito creche. Engordam-o e o levam até outro alojamento. Se fêmea, engravidam-na vezes por vida e a armazenam em uma mini gaiola até o parto. Quando ao fim da vida útil, levam-na ao abate. Por fim, dizem-se preocupados com o bem estar do animal e pregam o “abate humanitário”. Quanta hipocrisia, ó criador!
É claro que as piadas não ficaram para trás. Até eu me senti envolvida pelo clima propício e arrisquei algumas. Apesar da fraca memória, ainda lembro de umas boas. Como exemplo, cito o cidadão que comparou o fato de um porco reprodutor ser solto em um lugar com várias fêmeas, cheirá-las e descobrir pelo cheiro qual está propícia a sexo ao nicoloco. Concordo, botando um abadá nos suínos, diga-me qual a diferença?
Poderia falar horas e horas a respeito deste dia. Poderia aprofundar no fato de ter ido ao curso de inglês minutos depois da suinocultura, ainda cheirando a macho alfa e ter arrancado olhares das pessoas. Porém, o que me resta por hoje é acrescentar ao vocabulário mundial a expressão ” vida de porco”. Por hoje, fica abolida “vida de cão”! Não há no mundo bicho que sofra mais que um pobre suíno, nem mesmo um cão!

Hoje falarei sobre o Universitário, esse animal mutante de hábitos estranhos.
O Universitário é uma variação mutante de outro animal, o animal selvagem ( em microbiologia, tratamos bactérias selvagens como bactérias livres de mutações, ou seja, não me refiro como selvagem um animal com hábitos grosseiros e sim, sem hábitos de universitário.).
Outrora, antes de se tornar um animal mutante, todos esses eram selvagens, viviam em suas tocas com sua manada, comiam a caça de seus pais e mães e sob a defesa do chefe do grupo. No entanto, objetivando alcançar o mundo, o animal selvagem lançou-se em outro reino: A universidade.
Esse novo ambiente, repleto de perigos e agentes mutagênicos, tratou, por si só, de modificar o animal selvagem. Assim, as múltiplas alterações fenotípicas e genotípicas criaram variações de animais, agrupados todos como Universitários, originando o que conhecemos hoje como: Agroboys, EAL, Florestal, Civil, Elétrica,ADM, Direito, dentre outros. Podemos destacar também o animal calouro: transição de selvagem para universitário.
Começaremos pelos Calouros, esse animal arisco e submisso. Para identificar um calouro, basta olhá-lo nos olhos: se houver medo, dúvida, honestidade, sonho e esperança, não tenha dúvida, você identificou um ( não há nenhum outro animal que possua medo e honestidade ao mesmo tempo na Universidade). Os calouros andam em ar de dúvida, nunca sabem onde devem ir, são facilmente enganados pelos que já vivem no ambiente a mais tempo e sempre compram materiais desnecessários. O primeiro contado do calouro com o ambiente universitário é marcado por muita tinta, violeta e brincadeiras para tentar amenizar a qualidade de arisco.
Existem também os Agroboys, animais de hábitos bem específicos. Esses seres utilizam vestimenta diferenciada, incluindo botina, chapéu e um aparelho musical contendo música sertaneja. Possuem hábitos noturnos e, por isso, marcam presença em todas as festas, bares e botecos. Não há lugar onde não se veja Agroboys, pois, além do dito, também são em grande maioria. Fazem sucesso entre as Marias Breteiras e, em muitas vezes, conquistam fêmeas de outras variações.
O Florestal é o animal zen da universidade, tem preferência por lugares enfumaçados e tranquilos, porém nunca dispensam um boa festa. Andam em passo leve e, apesar de não terem uma rotina fácil de trabalho, são sempre sinônimo de “paz e amor”.
Há também o animal Direito. Sempre correto, equilibrado e que consegue maior coeficiente de rendimento sem maiores esforços. Andam em grupo, porém, disputam conhecimento entre si. Possuem grande poder de persuasão e, com isso, podem fazer outros animais serem restritos da liberdade ou conquistá-la.
De todos os outros animais, destaca-se o EAL, animal de hábitos curiosos, inusitados e esquizofrênicos. O animal EAL possui hábitos noturnos e diurnos. Passam grande parte do dia e da noite na universidade e o tempo que lhes restam passam em bares em companhia um do outro. São bipolares, capazes de chorar e rir ao mesmo tempo, e fazem isso frequentemente, pois o esforço do animal EAL nunca é reconhecido. De todos os animais da Universidade, são os que mais andam em grupo e se ajudam. Compram briga alheia e tristeza alheia. Possuem compaixão, compartilham de mesmo ódio a Física e Cálculo e, mesmo destruidos, conseguem passar na maioria dos testes. O animal EAL não rejeita festa ou bebida, amizade e um bom Luau.
No geral, o Universitário se alimenta em um grande santuário, conhecido como R.U. que apesar da grande fila e comida no cocho, é glorificado por muitos. Esses animais sentem falta de sua toca, mas quando longe da Universidade, sofrem de maior abstinência. Apesar da vida neste ambiente complexo não ser fácil, sempre há selvagens que almejam a mutação, pois, apesar de tudo, são os universitários que movem e revolucionam o mundo.
Andei pensando por uns dias como o mundo está ao contrário. Por todos os lados há algo, no mínimo, inusitado. Outrora, quando era um simples embrião no universo que é uma universidade, acreditava em bons alunos, bons professores, boas aulas. Hoje, no máximo, acredito em boa tática de cola e sobrevivência a todo custo na selva que se tornou o ensino superior. Embora a vida na faculdade não seja o foco de meu texto hoje, não me contive em citá-la, pois é lá que os demônios vivem, a origem de tudo e todo mal é na universidade. Seja por frequentá-la, seja por não o fazer.
Na verdade, senti meu mensageiro gritar por desabafo. Assim sendo, rendi-me a sua vontade. Estou aqui, porque não aguento ver o mundo passar sob meus olhos e permanecer muda, inerte. Se o que me resta é dizer, não ficarei calada.
Somos todos porcos capitalistas. Não negue. Por mais comunista ou anarquista que você seja, no fundo o capitalismo é o que te sustenta. Duvida? Bem, procure em suas fontes o magnífico ditador comunista Fidel Castro em uma de suas entrevistas. Por que um dos maiores inimigos do sistema capitalista usava uma camisa da Adidas (a meu ver, símbolo perfeito para representar esse sistema de lucros)? Podem haver inúmeros motivos por trás desse ato do senhor Ditador. No entanto, eu, ser alienado, só enxergo um paradoxo. Doutrinas opostas tão próximas quanto dois átomos de material sólido, próximo do zero absoluto.
Antes fosse apenas o sistema econômico que apresentasse falhas. Infelizmente, nota-se a alienação presente em cada pedacinho do mundo.
O senhor, caro cidadão, o que me diz a respeito de um padre, um ser privado da vida a dois, dar-lhe conselhos sobre sua vida conjugal? É algo como física teórica e prática. Na teoria, desprezamos a resistência do ar, o atrito… na prática, porém, essas considerações modificam todo seu experimento. O mesmo serve para o padre, que de alguma forma conhece a teoria de um casamento, no entanto, a realidade, nua e crua, esse pobre homem não conhece. É fácil para ele pregar contra a traição quando não é ele que está na pele do pobre marido vendo sua esposa de bobs e máscara de pepino. É fácil para ele pregar contra o uso da camisinha, já que não é ele que corre risco de pegar uma DST.
Agora, citando minha linda e destruidora de sonhos UFV digo: Como um professor que não motiva sua sala de aula pode ser capaz dar aula de Motivação? É o mesmo caso do Padre. Não dá. Imaginem uma freira dando aula de pole dance. É o mesmo.
Sim, meu caro, sei que eu ando mexendo na sua ferida. Sei também que dessa forma, estou vulnerável a bonecos de voodoo, excomunhão, galinha preta na encruzilhada, ao purgatório, fogo e espetos. Porém, cidadão, indago-te: Qual a diferença do meu pecado para o seu? Ambos fazemos, ambos vemos. No entanto, prezado, eu digo e você se cala. Você mente, para si e para todos. Assim sendo, você está a um passo a minha frente no caminho para o inferno. Conforta-te, então!

Hoje é um dia digno de um post. Sexta-feira Santa, que de Santa só tem o nome.
Curioso o comportamento dos cristãos. Esses cidadãos teoricamente pacíficos, crentes, fiéis, seguidores do misericordioso Senhor. Porém, nota-se em inúmeras vezes ( usei o “inúmeras vezes” a fim de me esquivar da ira de algum fiel cego de seus defeitos), uma tendência ao desvio do caminho. Evitam a tentação da proteína da carne, dos seus benefícios e malefícios nutricionais. No entanto, a carne na sua forma luxuriosa é adicionada ao cardápio desse dia especial. Quantos cristãos não planejam o programinha da sexta de feriado? Ir para qualquer boteco, encher o rabo de alcool, a cabeça de sexo… Porém, disseminam aos ares que a ingestão de carne levará o pecador aos fogos e espetos do inferno. Acredito, que se existem céu e inferno, a coisa menos provável que te levará ao último será comer um boizinho. Comer uma vaca talvez pese mais.
Luxúria a parte, evidencio a preguiça. O que você fez o dia todo? Comeu em um restaurante a fim de evitar o calor do forno? Assistiu a TV Plim Plim (ou outra menos manipuladora) a tarde inteira? Os que fizeram o almoço por acaso deixaram a louça para amanhã? Evitou varrer a casa? Sim. Você, cidadão, não comeu carne, mas deu lugar a preguiça, um dos 7 pecados capitais.
E a Ira? Quem de vocês nao maldisse o mercado da esquina que não abriu hoje? Ou entao, quem de vocês não desejou o mal/morte de qualquer ser vivo que lhe trouxe incômodo? (essa pergunta é polêmica. Cristão que é Cristão não assume que deseja o mal de outrem) Quem de vocês não se exaltou no trânsito?? Sim, senhor pureza, você é um pecador.
Eu poderia falar pela eternidade, maldizer seus/meus costumes, suas/minhas hipocrisias, chamar-te de impuro e filho de Lúcifer, porém, acredito que, com esse curto discurso, já consegui você como inimigo, cidadão. Neste momento, você deve estar balbuciando: “pecadora de merda, que queime no inferno”! Não direi que terei você como companhia para evitar escândalo.
